Cartaz de concertos para 2009 dominado pelos regressos
As confirmações são várias, mas é a incerteza sobre a actuação dos AC/DC, U2 ou Tina Turner que faz suspirar milhares de fãs. A crise parece não ter afectado o número de concertos, embora tenha reduzido a margem de risco das promotoras.
Se 2008 foi o ano de Madonna – cujo concerto no Parque da Belavista, em Setembro passado, atraiu 75 mil pessoas -, não há ainda um claro mobilizador de massas, tal como aconteceu recentemente com os Rolling Stones ou U2. É certo que o espectáculo dos Eagles seria um bom candidato a esse título, mas, apesar do álbum novo, todos os que se deslocarem ao Pavilhão Atlântico a 22 de Julho não irão com outro intuito que não seja a participação numa celebração nostálgica, com a obrigatória revisitação dos maiores êxitos da banda norte-americana.
Os Depeche Mode poderiam ser também a banda sobre a qual recairiam as principais expectativas. Acontece, porém, que os britânicos visitaram Portugal há pouco mais de três anos, além de que o concerto está integrado num festival, formato que dificilmente proporciona, por limitações óbvias, actuações inesquecíveis.
Por tudo isto, o trono está por vagar. Mas não por muito tempo, dada a insistência com que se fala na vinda de diversos pesos-pesados. Destes, os AC/DC são os mais aguardados. Com um disco novo, “Black ice”, os australianos têm alimentado rumores sobre uma hipotética vinda, mas Portugal não foi ainda contemplado com uma data na digressão.
O cenário actual, longe de desmoralizador, deverá adquirir em breve contornos mais definidos, à medida que forem conhecidos – a conta-gotas, claro está – os cabeças-de-cartaz dos festivais.
A safra do ano anterior dificilmente será repetível (com Bob Dylan, Sex Pistols, Björk, Primal Scream, Rage Against the Machine ou os noviços Vampire Weekend), mas aguardam-se novidades de monta, mesmo sem Rock in Rio Lisboa, com regresso anunciado para 2010.
Se Radiohead, Tom Waits e Eels continuam a ser uma miragem, há já confirmações de nomeada. Antony and the Johnsons (em Maio, em Lisboa, Braga e Porto), Mogwai (5 de Fevereiro, na Aula Magna), Kaiser Chiefs (a 31 no Coliseu do Porto e no dia seguinte no homónimo recinto lisboeta ) The Fall (Casa da Música, já a 17), Chris Eckman (13 de Fevereiro, em Santa Maria da Feira) e The Stranglers (a 30, na Aula Magna) são disso exemplo.
O pendor nostálgico de muitos concertos não é pura coincidência: a aposta em nomes familiares a qualquer ouvido implica uma margem mínima de risco, além de praticarem preços muito mais convidativos. E se a crise económica não provocou uma razia nos concertos, nem por isso deixou de mostrar efeitos. Basta ver o caso de promotoras históricas que, à falta de actividade regular, encontraram um filão rentável em nichos específicos, como o segmento infantil ou familiar.
Fora do eixo pop-rock, há boas notícias. Na Casa da Música, no Porto, o ciclo de piano vai trazer nomes incontornáveis como Sequeira Costa (no ano em que comemora oito décadas), Maria João Pires, Denis Matsuev e Grigori Sokolov. Junte-se a este cardápio Wayne Shorter, John Zorn ou Brad Mehldau e logo se conclui que o ano musical, mesmo com a crise à perna, reúne um punhado de propostas sólidas.
in JN















