Vocalista dos Texas a solo
Sharleen Spiteri invadiu os televisores de todo o mundo quando deu a cara para cantar ‘I Don’t Want a Lover’, o hit que fez dos Texas imediatos campeões dos tops e que permitiu à banda escocesa a reprodução explosiva do álbum de estreia “Southside” por vários milhões de cópias (dois milhões das quais vendidas).
Spiteri perdeu o anonimato dando a cara de Maria-rapaz bonita por um som rockeiro universal e prosaico, inspirado na música desértica de Ry Cooder para o filme de Wim Wenders “Paris Texas”, cujo tÃtulo influenciou o nome da banda. A origem e o sotaque eram escoceses, mas para o grande público aquela era uma banda que, pelo som, passava por americana.
Passados quase vinte anos de uma vida pública activa, dispersa em vários ramos, Sharleen Spiteri refinou-se. O álbum de estreia a solo “Melody” é de um outro filme, com pinta de música para filmes de James Bond. As canções candidatas ao tema principal de uma próxima pelÃcula do 007 são ao todo 11.
O som europeu vestido de gala de “Melody” esquece a rispidez americana de ganga dos Texas. No novo enquadramento a Sharleen Spiteri, surge-nos agora uma pop de orçamento elevado, com a pompa de uma orquestra atrás e melodias pensadas para a ocasião, rigorosamente acompanhadas por uma folia tÃpica de Festival da Eurovisão.
Nem numa vista panorâmica a Melody se vislumbra qualquer sinal de diva rock estilo Chrissie Hynde (dos Pretenders), por muito bons que possam ser os binóculos. Só fantasminhas de Shirley Bassey e da encarnação mais angelical e jovem de Marianne Faithfull.
Mas acertando o calendário para 2008, o destino pode cruzá-la com os fãs da soul de Amy Winehouse e de Duffy, e a pequena participação em “Melody” do ex-guitarrista dos Suede, Bernard Butler (que produziu o álbum de estreia de Duffy, “Rockferry”) não é ingénua.
A curiosidade por conhecer Sharleen Spiteri em tons de veludo vale a pena ser satisfeita. “Melody” é uma surpresa agradável.
Gonçalo Palma
in radiocomercial.clix.pt



















